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sábado, 12 de novembro de 2011

Hotel e Restaurante em Carcassonne

Um dos hotéis mais bem localizados e mais charmosos que eu já fiquei:

Hôtel du Chateau
2, rue Camille Saint Saens - Carcassonne, France

Do lado de fora da muralha, mas de frente ao portão de entrada. O café da manhã é servido na frente do hotel, e é de lá a foto abaixo:


Restaurante

Carcassonne tem vários restaurantes agradáveis. Comi um excelente cassoulet e um vinho espetacular no Adelaïde.

Cassoulet é um prato típico da região, de origem muito antiga. Diz a lenda que ele foi inventado durante a Guerra dos Cem Anos, quando os ingleses invadiram a região e não restava muito aos pobres do que cozinhar feijão e pedaços de linguiça e carne de porco em panelas de barro (conhecidas em francês como cassoles, que deu origem ao nome).

Para quem não conhece, é um prato feito com feijão branco, peito de pato, linguiça e carne de porco. Bem parecido com a nossa feijoada, não é?

Vale muito a pena experimentar!

Adelaïde - 5 rue Adelaide de Toulouse - Carcassonne

domingo, 23 de outubro de 2011

Carcassonne


A história dos cátaros e sua perseguição pela Cruzada conduzida pela Igreja Católica foi o que primeiro me chamou a atenção para Carcassonne.

Pesquisando um pouco mais, descobri que a cidade e sua fortaleza foram totalmente reconstruídas, sendo hoje a cidade medieval mais bem conservada da França e também patrimônio histórico da humanidade, tombada pela Unesco.

Sabia que estava platonicamente apaixonada por Carcassonne e estava com muito receio de me decepcionar. Tinha medo de encontrar uma cidade profundamente turística e não conseguir me conectar com sua história. De não conseguir andar pelas suas ruas e pensar nas pessoas que viveram ali e que sofreram muito pela defesa de seus ideais e de suas crenças.

Assim que avistei a cidade, vi que era impossível se decepcionar. A cidade atrai uma imensidão de turistas, é verdade, mas a visita ao Castelo é suficiente para te levar numa viagem no tempo.



Na entrada do Castelo, é passado um vídeo que conta a história de Carcassonne. Assista, vale a pena.

Quando saímos do castelo, percorremos todo o contorno da fortaleza. Caminhando por aqui, quase não encontramos turistas. Subindo em torres de guarda, entrando em rampas e passagens ou caminhando pelo gramado, mais uma vez somos remetidos ao passado.


A cidade em si é repleta de ruas estreitas e lojas totalmente destinadas ao turismo. Certamente não gostaria de ver lojinhas de sabonetes, sorvetes, crepes, artesato, louças, postais e miniaturas de cavaleiros medievais, mas é o preço que se pagamos para que Carcassonne continue sendo tão bem cuidada.

Como tínhamos decidido dormir em Carcassonne, apenas porque viajaríamos depois para Barcelona e não queria fazer essa viagem, de cerca 300 km, a noite e cansados.

Fomos para o hotel, tomar um banho e descansar um pouco antes de jantarmos. Nosso hotel não ficava dentro da Citè, mas praticamente na frente do portão principal de entrada.

Ao sairmos do hotel para jantarmos, uma bela surpresa. A cidade ganha uma iluminação discreta e encantadora, deixando-a mais fascinante ainda. Além disso, grande parte dos turistas vai embora no final da tarde, e as ruelas ficavam quase vazias.




Outra bela surpresa é que Carcassonne é servida de excelentes restaurantes. Tivemos uma refeição
maravilhosa, acompanhados de um belo vinho.

Um pouco de história

Os primeiros vestígios de colonização celta em Carcassonne datam de 3500 a.C.. Praticamente 3.000 anos após sua colonização pelos celtas, os romanos invadem a região e constroem a primeira fortificação na colina onde se encontra hoje Carcassonne. A cidade enfrenta então ataques dos visigodos e sarracenos.

Em 1067, Carcassonne é oferecida como dote de casamento a Raimond Trencavel, visconde de Albi e de Nîmes. Nos séculos seguintes a família Trencavel constroem o Château Comtal. Trencavel, apesar de não se considerar cátaro, era tolerante com a sua fé e se recusava a persegui-los.

Sua atitude irritou profundamente a Igreja Católica. Quando a cidade é invadida pelo exército de Simon de Montfort, em Agosto de 1209, Trencavel é preso no seu próprio castelo, morrendo logo depois.

A cidade fica sob o domínio de Montfort, que acrescenta mais uma fortificação ao seu redor. Carcassonne se torna uma importante cidade na fronteira da França e do Reino de Aragão, na Espanha.

Em 1659, o Tratado dos Pirineus transfere a província de Roussillon para a França, e Carcassone perde sua posição fronteiriça e sua importância econômica e militar é significativamente reduzida.

A cidade sofre tanto com a ação do tempo e do abandono, que em 1849 o governo francês decide que ela deveria ser demolida.

A decisão causa muita revolta, e o governo volta atrás, contratando o arquiteto Eugène Viollet-de-Duc para reconstruí-la.

A reforma começa em 1853 e prossegue até a morte de Viollet-de-Duc em 1879, sendo retomado por um de seus alunos.

Em 1997, as fortificações de Carcassonne obtém o estatuto de patrimônio mundial da UNESCO.

Carcassonne – A História dos Cátaros


Meu interesse por Carcassonne começou quando encontrei numa livraria, totalmente ao acaso, o livro Labirinto, da escritora francesa Kate Mosse.

Li o resumo, achei interessante e comprei.

Labirinto é um romance que se passa na cidade francesa de Carcassonne, e conta duas estórias que se convergem: uma se passa na França contemporânea, mais precisamente no ano de 2005, e outra na França medieval, no ano de 1209.

O Labirinto é uma mistura de romance com fatos históricos. E foi exatamente isso que prendeu minha atenção, me fez pesquisar e entender melhor o que aconteceu se passou.

Carcassonne fica no sul da França, na região chamada Languedoc-Roussillon e foi umas das principais cidades onde o catarismo se desenvolveu.

O livro conta a história de arqueólogos do século XX que encontram esqueletos numa caverna, esqueletos de pessoas assassinadas naquela região há pelo menos 800 anos atrás. A partir daí, o romance se desenvolve, contando quem eram e como viviam os cátaros, e seu quase total extermínio pela Igreja Católica.

Li logo em seguida mais dois livros da mesma autora, Sepulcro e Winter Ghosts. Os dois seguem a mesma linha, acrescentando mais alguns fatos sobre a história dos cátaros.

Comecei a pesquisar e li tudo o que eu podia sobre o catarismo e a cruzada cátara. Muitos historiadores consideram que em suas idéias estava o embrião que deu origem ao Espiritismo.

As principais cidades do movimento, todas localizada na mesma região, foram Carcassonne, Toulouse, Béziers e Montségur.

O catarismo foi uma filosofia cristã dissidente do catolicismo da Idade Média. Os cátaros, acreditavam que todo ser que nasce neste mundo é imperfeito e possui um carma, conseqüência dos seus atos e pecados anteriores. Seu nascimento e a vida na Terra poderia ser uma oportunidade de salvação.

Os padres se vestiam com hábitos negros. Rejeitavam o dogma da Santíssima Trindade e também os sacramentos, como o batismo, a eucaristia e o matrimônio. E viam com naturalidade o sexo fora do casamento.

Os sacerdotes cátaros, que denominavam-se "bons cristãos" ou "bons homens" e "boas mulheres", levavam vidas simples e castas.

A Igreja Católica tolerou os cátaros por um bom tempo, tentando apenas convencê-los a se reconverterem.

Quando o papa Inocêncio 3º. assumiu, em 1198, a atitude da Igreja endureceu. Inocêncio suspendeu diversos bispos do sul da França. Em 1208, o representante eclesiástico Pierre de Castelnau excomungou um nobre de Toulouse. Em represália, foi assassinado.

O incidente foi a gota d’água. No mesmo ano, o Vaticano autorizou uma cruzada, uma guerra santa contra o povo de Languedoc – a primeira e única cruzada de cristãos contra cristãos da história.

Barões franceses do norte que abraçaram sua cruzada, viram nela também uma oportunidade de obter terras, riqueza e vantagens comerciais subjugando a nobreza do sul.

O movimento foi extremamente violento. No cerco a Béziers, em julho de 1209, 7 mil fiéis foram assassinados, entre eles mulheres e crianças. Em seguida, foi a vez de Toulouse, Carcassonne e de Montségur.

Os cruzados forçavam os cátaros a confessarem seu pecado e a se arrependerem dele. Quem não se arrependesse, seria queimado vivo. Muitas pessoas preferiam manter-se fiéis à sua fé e se atiravam, cantando, nas fogueiras preparadas para esse fim, recusando-se assim a abjurar sua fé.

Algumas outras histórias contam que muitos cátaros fugiram para as montanhas da região, mas perseguidos pelos soldados, se escondiam nas cavernas nas rochas. Os cruzados então, fechava a entrada das cavernas, deixando as pessoas presas lá dentro para morrer de inanição e fome.

Essa violenta cruzada marcou o fim do movimento cátaro e levou diretamente à fundação da Inquisição em 1233.