terça-feira, 22 de janeiro de 2013

De carro pelas Montanhas Rochosas no Canadá



Já escrevi nesse blog sobre algumas viagens fantásticas que fiz. Mesmo assim, ouso dizer que a viagem pelo Parque Nacional das Montanhas Rochosas no Canadá sem dúvida foi, em termos de beleza natural, a mais marcante.

Sabe aquela vontade que sentimos de largar nossa vida estressante e ir morar na praia? Durante essa viagem vi paisagens tão sensacionais e tão perfeitamente lindas, que chorei no meu último dia. Não queria ir embora. Queria simplesmente largar tudo e viver aqui.


Viajamos no final da primavera, pegando começo do verão, cruzando o parque pela Icefields Parkway. Vi lagos recém descongelados de um verde esmeralda e de um azul turquesa intensos, cachoeiras formadas pela neve que derretia das montanhas e, mais ao norte, lagos completamente congelados compondo uma paisagem de um branco tão puro de tirar o fôlego.



A vida animal é sensacional. Tinha lido sobre as diversas espécies selvagens que vivem nas Rocky Mountains, mas mal consegui acreditar quando vi o meu primeiro urso. E não somente ursos, mas também esquilos, alces, impressionantes renas, cabras de montanha, carneiros selvagens, lobos, numa fauna tão diversificada e tão diferente para nós brasileiros.
A viagem começou por Calgary, onde chegamos de avião vindos de Vancouver.
Calgary

Calgary é uma cidade grande, localizada na província de Alberta, e tem uma população de aproximadamente 1 milhão de pessoas.
Calgary ficou internacionalmente conhecida por ter sediado os Jogos Olímpicos de Inverno em 1988.
Apesar de ter sua principal atividade econômica na indústria do petróleo, a agricultura é um setor muito forte.
Calgary é uma mistura de cidade cosmopolita - sede canadense de várias indústrias multinacionais - com uma cidade agrícola. Não é incomum ver na cidade cowboys de chapéu, bota e cinturão. Grande parte dos bares e boates na cidade são voltadas para esse público, dando a impressão de estarmos numa Barretos canadense.
Chegamos no final da tarde em Calgary. Tinha reservado um carro para alugar que queria retirar antes da loja fechar, para podermos partir no dia seguinte, logo após o café da manhã.
Sendo assim, conhecemos muito pouco de Calgary.
Fomos na Calgary Tower, um torre de observação de 191 metros de altura. Da torre tem-se uma boa visão da cidade e das Montanhas Rochosas. A torre também tem uma parte do piso de vidro, o que garante uma emoção extra.
Comemos num restaurante perto do The Core, shopping center na 8th Avenue, entre as ruas 2nd e 3rd e passeamos pelas ruas em volta.
Apesar de ter ficado muito pouco em Calgary, achei que era uma bela cidade. No meu delirio de largar tudo e morar nas Rochosas, considero Calgary um refúgio ideal para ir quando sentir falta da civilização.
No dia seguinte, partimos em direção a Banff, a 129 km de Calgary e já dentro do Parque Nacional das Montanhas Rochosas.
Banff

Banff é uma bela cidade turística a 1463 metros de altitude, um dos principais destinos dentro do Canadá. No inverno torna-se cidade de apoio para algumas estações de sky que se encontram ao seu redor e, no verão, vira refúgio para caminhadas, canoagens e diversas outras atividades ao ar livre.
Depois de um passeio pela avenida principal de Banff, a Banff Avenue, seguimos para o teleférico. A Banff Gondola sobe a Sulphur Mountain, montanha ao lado de Banff que apresenta vistas espetaculares não só da cidade, mas também da região ao seu redor.

Quando a gondola atinge o topo, ainda é possível fazer uma caminhada por uma trilha até uma antiga estação e ver alguns animais da região, como esquilos, cervos e alces.



Fizemos também uma caminhada pela orla do Lago Minnewanka, uma região espetacular a menos de 5 km de Banff. O lago estava com uma coloração verde esmeralda linda!



Um pouco mais distante, há cerca de 60km de Banff, Lake Louise apresenta uma visão de tirar o fôlego. Andando pela região, podemos ver várias cachoeiras formadas pelas águas que estão descongelando nos picos das montanhas.
Uma vontade? Me hospedar no Fairmont Hotel, simplesmente em frente ao Lake Louise.

Baker Creek Mountain Resort

Na Central de Informação ao Turista de Banff, nos falaram sobre nos hospedar em Baker Creek Chalets ao invés de Banff. Nos explicaram que eram chalés super charmosos num espaço reservado no meio da floresta, longe de qualquer cidade. Nos empolgamos com a idéia e lá fomos nós por uns 50 km.
Baker Creek é exatamente o que nos foi explicado. Um conjunto de chalés mais do que charmosos no meio da floresta, sem TV e com uma banheira de hidromassagem no meio do quarto. Sensacional.
Ainda tivemos a sorte de jantar no restaurante Baker Creek Bistro, ao lado dos chalés, onde comi uma das melhores refeições da minha vida.
Depois descobrimos que é um restaurante bem famoso na região e que muitas pessoas saem de Calgary para jantar aqui. Sugestão mais do que aprovada!
Ah! É melhor fazer reserva no restaurant assim que chegar.
Columbia Icefield
Columbia Icefield é uma das maiores geleiras do planeta, com cerca de 325 km² de area.
Os mais aventureiros podem tentar escalar as montanhas congeladas, mas eu me contentei em fazer apenas uma caminhada pela geleira.

Depois de um bom tempo andando em campos brancos e gelados, pegando neve na volta para o carro, tudo o que queríamos era encontrar um quarto de hotel quentinho.
E aí que passamos por uma situação quase catastrófica. Rodamos de carro pela região, mas não víamos nenhum hotel. Já estava escuro e a neve não parava de cair, cada vez mais grossa. Até que vimos um hotel bem grandinho e respiramos aliviados. Paramos o carro no estacionamento e subimos a escada da entrada já levando nossas malas. Tudo embaixo da neve, que caía sem dar trégua. Quando chegamos na recepção a resposta que ouvimos:
“Não tem quarto disponível.”
Olhamos um para o outro num princípio de pânico. Nisso descobrimos que o próximo hotel ficava a cerca de 100km de lá. Insistimos, mas nada. A simpática mocinha apenas balançava contundente e negativamente a cabeça.
Como bons brasileiros, insistimos mais um pouco, torcendo para que, como mágica, o não virasse sim.
Até que ela nos disse:
“Olha… tem um casal que fez reserva, mas ainda não chegou. Se eles não chegarem em meia hora, eu dou a reserva para vocês.”
Nunca rezei tanto na minha vida! E fomos recompensados, o abençoado casal nunca apareceu!
Um pequeno susto que nos fez aprender a lição de, sem reserva em hotel, procurar por um quarto antes da situação ficar desesperadora.
Jasper National Park 

Jasper National Park é o maior parque das Montanhas Rochosas, que possui como centro comercial a pequena cidade de Jasper, com cerca de 4.000 habitantes.
Com uma paisagem arrebatora de montanhas, lagos, cachoeiras, ainda possui uma vida animal bem diversificada.
Quando li reportagens sobre a região e li sobre a quantidade de animais selvagens presentes, não acreditei que seria assim tão fácil encontrá-los.
Afinal, eu faria uma viagem de carro, com apenas pequenas excursões a pé. Não pretendia fazer trilhas para dentro da floresta ou acampar no meio do nada.
Quando encontrei o primeiro alce, ainda ao redor do Lago Minnewanka, vibrei como criança. Depois de alguns quilômetros de parque, nem dava mais bola para alces, de tão comum que era vê-los.
Ao longo da Icefields Parkway, vi centenas de alces, veados, renas, cabras de montanha (uma cabra branca e grande, diferente das nossas), carneiros selvagens, esquilos.


O que não vou esquecer jamais foi o primeiro urso. Preto, lindo, e ainda com um filhote de brinde.
De nada adiantou todos os avisos que vimos sobre o quanto esses animais são perigosos. Quando avistávamos um, nós e todos os outros turistas do parque, parávamos o carro, saíamos com as máquinas fotográficas em punho, simplesmente en-lou-que-ci-dos. Parecia apenas uma versão gigante do nosso urso de pelícia da infância.
Por sorte, nenhum deu muita bola para nós e saímos ilesos dessa loucura.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Cinque Terre - A viagem que queria ter feito


Estava em Pisa, na Itália, e queria chegar de carro em Nice, no sul da França. Na minha pesquisa sobre como ir de uma cidade a outra, descobri Cinque Terre.

Como não tinha pressa, pensei ingenuinamente em deixar a viagem mais agradável e passar por Cinque Terre no caminho.

Foi uma das viagens que eu mais me arrependi na vida. Não, minto. Foi A VIAGEM que eu mais me arrependi. Não de ter feito, mas da maneira que fiz.

Cinque Terre fica na costa noroeste da Itália, na região da Liguria. Manarola, Vernazza, Corniglia, Monterosso e Riomaggiore são vilarejos que se estendem sobre encostas, e onde a economia gira principalmente em torno de vinículas e de um turismo nada de massa.




A viagem de carro é deliciosa. Estradas pequenas e sinuosas que nos presenteiam com um mar azul esverdeado espetacular. Mar Mediterrâneo, pelo qual eu sou apaixonada.


A vista dos vilarejos e das vinículas com o mar ao fundo dá vontade de andar a 20 km/h e ainda parar de vez em quando. Foi exatamente o que fizemos.

(Sinceramente, alimento uma remota esperança de que um dia, quem sabe, as favelas do Rio de Janeiro consigam seguir a mesma vocação de Cinque Terre.)

Me arrependi simplesmente porque tive uma vontade absurda de ficar uns bons dias por lá. E toda vez que lembro, fico com uma sensação de perda que não dá para explicar.

Li alguns relatos de pessoas que fizeram as cinco vilas andando e que foi paradisíaco. Deve ter sido, mas nem é isso o que eu quero. Quero mesmo é ficar num pequeno hotel, me estender em suas diminutas praias, algumas feitas apenas de pedras, e conhecer lentamente cada uma delas, saborear o vinho local, dolce far niente. 


terça-feira, 13 de novembro de 2012

De carro pela Toscana



Os filmes “Sob o Sol da Toscana” e “Cartas para Julieta” a utilizam como pano de fundo de um cenário perfeito. Felizmente para nós, não é propaganda falsa e a região não decepciona.

Viajar pela Toscana é uma doce aventura por campos de girassóis, cidades medievais e paisagens idílicas, saboreando os mais espetaculares vinhos do planeta.

Localizada na área central da Itália, faz fronteira ao norte com a Emilia-Romagna, a noroeste com a Ligúria, ao leste com Marche e Úmbria e ao sul com Lazio (região de Roma).

Passear pela Toscana é exatamente isso... passear.

A região é dominada por suaves colinas e ciprestes, campos de feno - com rolos de feno espalhados dando um ar extremamente bucólico – vinhedos e campos de girassóis de tirar o fôlego. 

A viagem de carro proporciona a liberdade para saborear cada vilarejo com a calma que eles merecem, perder-se em estradas vicinais e descobrir castelos e vinhedos de sonho.

Principais Vinhos:
Chianti e Chianti Clássico, Brunello de Montalcino, Rosso de Montalcino, Vino Nobile di Montepulciano.

Dicas gerais:
  • O carro foi alugado ainda em Roma, mas apenas para ser retirado no último dia na cidade. Com as malas já prontas, partimos para o que seria uma das viagens mais gostosas que fizemos.
  • Na maioria das cidades da Toscana não é permitido entrar de carro, mas as placas que indicam a proibição não ficam evidentes para o turista desavisado. E, acredite, se for multado, receberá depois de alguns meses, a multa a ser paga pelo correio.
  • Com cidades localizadas a curta distância umas das outras, a região é perfeita para montar base num único hotel e fazer viagens “bate e volta”, evitando assim a trabalheira de fazer/desfazer malas todos os dias para ficar em diferentes hotéis. Um dia é mais do que suficiente para conhecer cada uma das cidades, com exceção apenas de Firenze.
  • Fizemos uma rota que pode ser considerada “tradicional” – Arezzo, Siena, Montepulciano, Montalcino, Firenze, Pisa – mas é possível se perder por estradas vicinais e visitar cidades menos conhecidas e tão ou mais encantadoras que essas.

Roteiro:

Arezzo
Vista de Arezzo da Badia di Pomaio
Saindo de Roma, pegamos a A1, auto estrada que corta a Toscana e passa pelas principais cidades.

Apesar de ser uma auto estrada, a viagem pela A1 não é nada entediante. Vá devagar, curtindo a paisagem e parando sempre que der vontade.

Arezzo fica aproximadamente a 200km de Roma e foi a cidade que escolhemos como porto seguro. Daqui partimos para várias viagens bate e volta.

Vimos muitos campos de girassóis ao redor de Arezzo, mas a cidade em si é pequena e vale apenas um passeio rápido.

Hotel

O hotel escolhido – Badia di Pomaio – era um antigo monastério. Reformado, funcionários bem treinados e prestativos e restaurante extraordinário, fica no alto de uma colina e oferece uma vista espetacular de Arezzo.


Com esse visual e essa piscina, aproveitamos para curtir um “ dolce far niente” e passamos um dia inteiro no hotel.

Senão? Como fica um pouco distante de Arezzo e, como está no alto de uma colina, não é possível acessar de trem, sendo necessário um carro com GPS para chegar lá.

Badia di Pomaio
Localita Badia a Pomaio 4, 52100 Arezzo, Italy

Montepulciano


Montepulciano, a cerca de 60km de Arezzo, foi a primeira das cidades que paramos. Medieval, pequenina e estabelecida no alto de uma colina, oferece vistas magníficas da região.

Foi a primeira parada para uma degustação de vinhos e comprar nossas primeiras garrafas.

Almoçamos num restaurante super gostoso com uma bela vista.


Montalcino


Saindo de Montepulciano, pegamos a SS-146 com destino a Montalcino.

A cidade é pequena, mas produz um dos vinhos mais famosos do mundo, o Brunello de Montacino. Aproveite para fazer mais uma degustação numa das inúmeras enotecas ali presentes.

A cidade possui uma fortaleza bem preservada, cercada por uma muralha passível de ser percorrida, e que oferece uma vista sensacional.


Siena

Siena fica a uma hora de distância, de carro, de Arezzo, pela SS73.

Todas as ruas de Siena levam à Piazza del Campo, onde se destaca uma das maiores torres da Itália. Pode-se subir na torre para uma vista fantástica da cidade.

Almoçamos uma deliciosa massa com trufas num restaurante perto da Piazza (não lembro o nome, mas entramos sem nenhuma referência, procurando apenas um local que estivesse com bastante cliente).

Paramos o carro do lado de fora da cidade, pois não é possível entrar com o carro. Uma dica: marque onde estacionou, pois as ruas são todas bem parecidas.

Firenze
Vista de Firenze da Piazzale Michelangelo
Firenze para os italianos, Florença para os brasileiros, é a capital da Toscana e a maior cidade da região.

Durante o século VX, Firenze viveu seu apogeu e foi uma das cidades mais ricas e poderosas da Europa. Isso se deve principalmente à família Medici, detentora de bancos – funcionava como banqueiros inclusive para o Papa - e que foi mecenas de vários artistas, entre eles Michelangelo, Leonardo da Vinci e Botticelli.
Não por menos, Firenze é considerada o berço do Renascimento e abriga importantes obras de arte em suas igrejas e galerias.

Imperdível: 
  • A Duomo, Catedral Santa Maria Del Fiore, é lindíssima. Possui um campanário de 85 metros de altura que proporciona uma vista espetacular da cidade. 
  • Piazza della Signoria – principal praça de Firenze e ponto de encontro de turistas e cidadãos. Repleta de obras de arte e cópias do David, de Michelangelo.
  • Galeria Uffizi: uma das mais importantes galerias de arte da Europa, representa uma visita imperdível. Guarda importantes trabalhos de Michelangelo (importante: o David, de Michelangelo, fica na Galeria Dell’Accademia), Leonardo, Boticelli, Tiziano e Tintoretto.
  • Galeria Della Accademia, que abriga o perfeito David de Michelangelo.
  • Passeio pela Ponte Vecchio, para ver o pôr do sol no rio Arno. A ponte Vecchio é fechada por várias joalherias, e também representa um ponto de encontro no final do dia.
  • A Piazzale Michelangelo oferece as mais espetaculares vistas de Firenze. Localizada no alto de uma colina, vemos a cidade cortada pelo rio Arno e pela encantadora ponte Vecchio.

Vista do Rio Arno no final da tarde
Restaurante:

Comemos muito bem em Firenze, mas um restaurante se destacou maravilhosamente:

Tratoria 4 Leoni
Via de'Vellutini, 1r | Piazza della Passera, Florence, Italy

Pisa

Cresci ouvindo falar sobre a famosa torre torta e precisava conferir de perto.

A cidade é pequena e, tirando a torre, não tem muita coisa.

A Torre de Pisa, não mais tombando após obras que consertaram a sua estrutura, continua torta e impressiona. É possível subir nela, mas há uma fila absurda que inviabiliza a intenção de quem não quer ficar horas esperando apenas para isso.

O difícil mesmo foi encontrar alguém que tirasse uma fotografia de nós com a torre ao fundo, e que não endireitasse a torre e entortasse a gente.