sábado, 9 de abril de 2011

Por que você gosta tanto de viajar?

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi essa mesma pergunta.

Eu realmente gosto muito de viajar, mas tenho uma dificuldade absurda de responder uma pergunta tão simples. Para mim viajar é algo tão tão tão natural que no começo tinha até dificuldade de entender o que a pessoa estava perguntando. Na primeira vez que ouvi, tenho certeza que na minha cara se formou um grande ponto de interrogação, enquanto pensei: “Como assim? Você não gosta de viajar?”

Com o passar dos anos, aprendi que as pessoas são diferentes. Que comprar um carro novo traz a mesma felidade para alguns que um carimbo novo no passaporte traz para mim. As pessoas dão importância a valores diferentes, e não tem errado nem certo. 

Mesmo assim, sempre respondo alguma coisa boba como “porque sim” ou “porque é bom”. Penso que se alguém precisa fazer essa pergunta é porque não vai me entender jamais.

Mas hoje resolvi me esforçar um pouco e tentar responder essa pergunta. Se não para todos que me perguntam, para mim mesma. Por que eu gosto tanto de viajar?

Quando criança ainda, olhava um vale lindo que tem perto da minha cidade natal, Marília, e pensava: o que será que tem depois do vale?

E essa pergunta é o que me move até hoje. Quero saber como é o outro lugar, qualquer que seja ele, uma cidade em outro estado ou em outro país, na praia, na montanha. Como são as casas, os prédios, a arquitetura, como a cidade é organizada, como as pessoas vivem, quais seus hábitos, como funciona o metrô, os táxis, qual o prato típico. É um misto de curiosidade com vontade de explorar um novo lugar, uma inquietude que não me deixa ficar muito tempo no mesmo lugar.

E uma vontade de aprender. Conhecer pessoas novas, culturas diferentes, e entender um pouco mais a raça humana. Descobrir que pessoas boas ou más, legais ou chatas tem em todas as nacionalidades. Aprender história ao vivo andando pelas ruas de Berlim. Descobrir que o inglês vota sem precisar mostrar nehum documento provando sua identidade, que o alemão compra o ticket de metrô mesmo não tendo catraca que o proíba de entrar, que o francês curte uma boa refeição e um bom vinho todos os dias, que os italianos falam mesmo com as mãos e que são igualzinhos a mim. Aprender uma língua nova.

Buscar a sensação de paz, liberdade e felicidade absurda que alguns lugares me trazem. Sentar num bar, ver as pessoas indo e vindo, pensar em toda a história que aconteceu ali. Ver pela primeira vez um quadro que só conhecia em livros. Ou uma paisagem de tirar o fôlego. Um comida diferente, um tempero novo.

E por fim, é voltar melhor. Com saudades da minha casa, das minhas coisinhas, da minha família, dos meus amigos. Assimilar as coisas boas da outra cultura, e dar valor as coisas boas da nossa. Das minhas andanças pelo mundo, sinto vergonha de termos nos habituado com tanta violência, corrupção, pobreza, mas também tenho orgulho de sermos um povo com jogo de cintura para encontrar soluções quando as regras escritas não funcionam.

Quando li o livro “Mar sem fim”, do Amyr Klink, me deparei com um trecho que resume bem tudo isso que eu tentei escrever acima:
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

9 comentários:

  1. Eu concordo com você! E mais: para sair da comodidade da cultura, de achar que só a nossa forma de fazer as coisas é que está certa, que nós temos a melhor comida, que nosso país é o mais bonito do mundo, nossa gente a mais simpática. Tudo isso é verdade e não é. É uma delícia entender isso. Boas viagens para você! :) Beijão!

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  2. Cesinha,
    bem conciso vc! rsrsrs
    mas é isso mesmo!!!
    bjs
    Dri

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  3. Oi Lucy,
    É uma delícia mesmo, não é?
    Boas viagens tb!
    super beijo

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  4. Leonardo Belmonte1 de agosto de 2012 22:45

    Excelente!! Perfeito, êh bem isso

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  5. EXCELENTE, muito bom, muito bom, ótimo! ótimo! ótimo!

    sem palavras.

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  6. gostaria muito de saber qual o nome da pessoa
    que fez esse texto.

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  7. Incrível como esse texto descreve perfeitamente como me sinto! Obrigada pelas palavras, é muito bom ler isso. Pessoas como você que me fazem querer trocar experiências e viajar mais e mais :)

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  8. Perfeitos pensamentos. Também acho isso de viajar. Não era tão óbvio pra mim porque eu não tinha o costume. Mas planejar uma nova viagem me dá um arrepio na barriga como se estivesse esse me apaixonando de novo. Amei seu texto! Bjs e boas viagens p nós!

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